11.12.2007
Pista de Portimão já está a andar!

Foram sete anos de trabalho, mas a 8 de Outubro de 2008, quando for inaugurado, o Algarve Motor Park promete ser uma das melhores pistas da Europa. As obras começaram há um mês e contamos-lhe como tudo está a correr.
Agora, já não há dúvidas, dentro de um ano, vai existir em Portimão um complexo desportivo capaz de albergar corridas de motos e de automóveis ao mais alto nível do que é exigido mundialmente. Em 12 meses, a empresa algarvia Parkalgar acredita que irá fazer melhor do que, por exemplo, os malaios fizeram, quando precisaram de 20 meses para pôr de pé o circuito de Sepang.
No Algarve, a pista de Portimão também vai permitir que ali se realizem corridas de MotoGP ou Fórmula 1, pois está tão preparada para receber estes monolugares como as motos do Mundial de MotoGP em 2009. Para já, na próxima temporada, a Federação Internacional de Motociclismo já agendou para o traçado uma ronda do Mundial de Superbike, a disputar a 26 de Outubro, para encerrar o Campeonato.
E tudo porque, na génese do projecto posto de pé há já sete anos, esteve uma atitude tão simples quanto humilde dos responsáveis da Parkalgar: fazer um circuito à medida das necessidades de cada um. Ao contrário da Malásia, Turquia ou Xangai, não foram requeridos os serviços do projectista alemão Herman Tilke, antes sim, os serviços de 65 engenheiros para pôr de pé um traçado com infra-estruturas que agradassem aos responsáveis da Federação Internacional de Motociclismo e Federação Internacional do Automóvel. Claude Danis (pela parte da FIM) e Roland Bruynseraede (pela FIA) estiveram sempre a par do projecto e tudo foi feito de acordo com os seus conselhos, porque o objectivo é ter no Algarve um complexo desportivo de futuro. Para isso serão investidos cerca de 200 milhões de euros nestes 308 hectares de terreno (o equivalente a 308 campos de futebol!!!) que a Parkalgar possui na Serra da Pereira, a quase cinco quilómetros do Nó da Mexilhoeira, o acesso que vai ser construído na A22 (Via do Infante).
E para que não restem dúvidas de que esta pista poderá mesmo receber o MotoGP, a Fórmula 1 e todos os seus camiões e gigantes motorhomes, basta dizer que o paddock terá 92 000 m2 (será o maior da Europa)!Depois de tantos avanços e recuos, motivados pelas constantes mudanças governamentais que geraram neste sete anos mais de 356 reuniões (um ano só para explicar e reexplicar o projecto…) os mais cépticos ficam agora a saber que esta grande obra feita de um conjunto de pequenas obras responderá aos compromissos já assumidos internacionalmente para a realização de grandes eventos desportivos, porque as empresas nacionais que estão a pôr de pé o projecto para ser inaugurado de uma só vez, movimentam diariamente cerca de 25 000 m3 de terra e ainda não têm ao seu serviço os 2600 trabalhadores que se estima venham a estar a laborar em simultâneo para aproveitar aquilo que o Algarve tem de melhor para oferecer: o sol.
Um circuito com 64 variantes!Haverá curvas para todos os gostos, subidas, descidas, rectas e pontos de ultrapassagem nos 4865 m de perímetro.
Para aproveitar o relevo do terreno e assim proporcionar aos espectadores das provas uma melhor visão dos acontecimentos, a pista terá vários desníveis. A bem dizer, só os 965 metros da recta da meta é que são efectivamente planos, porque tudo o resto sobe e desde como se estivéssemos na pista belga de Spa. É o caso da zona do “mergulho” onde há um desnível de 22 metros (a descer) logo seguido de outro (a subir) com 18 metros. Há também uma recta com um desnível de 16 metros (sobe e desce) e uma parabólica que dá acesso à recta da meta que é feita a descer (desnível de 30 metros).Para a implantação da pista foram reservados 98 hectares de terreno, e desenhado um circuito que tem zonas rápidas (3197m de rectas, o que representa 68,3% do total), outras mais lentas (1485m, o que representa 31,7% em curvas) mas sobretudo, possui ganchos que permitirão discutir travagens, fundamentais para o espectáculo. A ligar determinadas zonas desta pista, com 18 m de largura constante, há pequenos troços de recta que proporcionam ao circuito a realização de 64 variantes!
Infraestruturas são o primeiro passo
Modernismo, funcionalidade e qualidade são apenas alguns dos vectores que nortearam o projecto dos edifícios de apoio.
Deixando apenas para o final de Julho de 2008 a colocação da primeira camada de asfalto, dentro de 15 dias começam a ser feitas as fundações para os edifícios. Ou seja, para as 52 boxes com tamanho de F1 (o Autódromo do Estoril tem apenas 30); para a bancada principal com 32 m de altura (o equivalente a um prédio com 10 andares); para o espaço de escritórios; torre de cronometragem; media centre (com capacidade para 600 jornalistas); centro médico; restaurantes; cafetaria e a torre “vip” (com seis pisos).Nada está a ser deixado ao acaso e tudo foi pensado para ser funcional. “Depois de andarmos mais de sete anos a ver outras pistas e a recolher opiniões, é natural que queiramos fazer uma coisa actual e pensada para responder às exigências mais naturais de todos os intervenientes no desporto motorizado”, justifica Paulo Pinheiro, o mentor do projecto e responsável máximo pela obra.“A bancada tem dois níveis de inclinação pronunciada para que as pessoas possam visualizar o máximo do circuito, ainda que este vá estar rodeado a quase toda a volta por bancadas. Haverá zonas de peão e um espaço ‘vip’ com restaurante e parqueamento no interior do circuito. Queremos estar aptos a responder a todas as pessoas”, sublinha Paulo Pinheiro.No exterior do circuito, onde serão plantadas 30 mil árvores, haverá vários parques de estacionamento e caminhos que permitirão escoar o tráfego directamente para uma via rápida com duas faixas para cada lado.
Parque tecnológico, hotel, apartamentos…
Para cativar equipas, construtores, participantes e espectadores, a oferta divide-se em vários níveis.
A 8 de Outubro de 2008, quando for inaugurada a pista, o parque tecnológico, o hotel de cinco estrelas (com 200 quartos, spa, piscina e todas as mordomias da terceira cadeia hoteleira do mundo, a Radisson) e os 160 apartamentos não deverão estar prontos. “Esta será a obra mais complexa”, como diz Paulo Pinheiro, “mas a sua inauguração não irá muito para além de quando começar a actividade na pista.” O hotel, por exemplo, será apresentado dentro de dias em Londres, com pompa e circunstância, porque os seus responsáveis querem que este seja um exemplo de qualidade. Por isso, está afastado da pista cerca de 1,5 km, havendo várias barreiras naturais de árvores.Noutro topo dos vários cumes que circundam a pista será implementado um parque tecnológico que mais não é do que um conjunto de oficinas amplas e práticas ao qual estão agregados pequenos edifícios que podem conter cantinas, salas de reuniões, enfim tudo o que uma equipa de competição precisa para efectuar o seu trabalho. Estes espaços estão projectados para se adaptarem às necessidades de todos (construtores de automóveis ou motos incluídos) e têm a particularidade de permitir que os carros (fórmulas ou GT, inclusive) possam sair da garagem e ir até à pista experimentar qualquer solução ou afinação, sem que os mecânicos tenham que perder tempo a carregá-los e descarregá-los de um camião!
Outras pistas
Um kartódromo, uma pista de TT e zonas de testes para os fabricantes de automóveis também vão existir.A movimentação de terras que está a ser feita no exterior da pista, junto ao que se será o parque tecnológico, servirá de base à implementação de um kartódromo que na sua variante máxima terá 2200 m de perímetro para 12 m de largura constante. No entanto, haverá três hipóteses de circuito e uma delas até já está aprovada pela Comissão Internacional de Karting. Junto à pista serão asfaltadas três zonas que interessam aos fabricantes de automóveis e construtores de pneus. Duas “bolachas” com 55 m e 210 m de raio e uma recta com 750 m, sendo que tudo isto terá rega automática para simular o uso dos pneus e o comportamento do carro em curva ou em recta em condições de aderência difíceis.Afastado desta zona, mas ainda dentro do perímetro de 308 hectares de terreno, será feita uma pista de TT com dois níveis de exigência para que as marcas de automóveis possam testar e apresentar os seus modelos, em condições de segurança e com o recurso às zonas de asfalto se assim o desejarem.
Paulo Pinheiro: o mentor
Aos 36 anos, Paulo Pinheiro tem nas mãos a responsabilidade, perante a empresa que o admitiu e o Estado, de levar a bom porto uma nau que representa neste momento tão só e apenas o terceiro Projecto de Interesse Nacional. É um investimento 100 por cento privado de 200 milhões de euros, sendo que 120 são para a pista, kartódromo, hotel e apartamentos. “Ainda não concorremos aos fundos comunitários, mas vamos fazê-lo dentro dos parâmetros que são exigidos por lei”, conta Paulo Pinheiro, um verdadeiro apaixonado por tudo o que seja competição motorizada, ou não tivesse ele dado os seus primeiros passos pelo karting e corrido em moto no Nacional de Velocidade. No entanto, ainda que a paixão tenha sido o motor de toda esta iniciativa, a dimensão do projecto chama-o constantemente à razão, e por isso, sem rebuço, responde que a rentabilização do investimento da Parkalgar será, “principalmente feito através do melhor que o Algarve tem para oferecer como o clima, a restauração e a qualidade de vida. Nós apenas vamos dar às marcas de automóveis e de motos os meios para poderem prosseguir o seu trabalho normalmente. É assim que queremos rentabilizar a pista no dia-a-dia. As provas servirão para prestigiar e divulgar o local além-fronteiras. Mas como não queremos olhar só para um lado, também não deixaremos de dar espaço a todos quantos pretendem ter um espaço para dar largas à sua vontade de acelerar. Isto é um investimento privado e como tal está a ser pensado como qualquer empresa que tem que dar lucro. Há vários exemplos por essa Europa fora do que fazer e como fazer. Apenas vamos trazer para cá o que pensamos ser melhor para todos.”

































